Os Smurfs e a Vila Perdida (Smurfs: The Lost Village – 2017)

smurfs pulam no gargamel.jpeg

A animação da vez, trazida pela Sony Pictures Animation, renova o carinho nostálgico dos mais velhos e fideliza novos fãs, com mais uma aventura dos pequenos seres mágicos de pele azul. Os Smurfs e a Vila Perdida devolve os queridos personagens ao mundo da animação, de onde nunca deveriam ter saído.

A trama gira em torno da Smurfette, mais uma vez. A única de sua espécie a não ser do sexo masculino, ela entra em uma profunda crise de identidade, ao perceber que todos os rapazes smurf tem funções bem definidas dentro da comunidade, e ela não. Há um senso de propósito que lhe falta, apesar disso ser um problema apenas para ela, já que todos os outros parecem satisfeitos em seguir com suas funções e finalidades, deixando que ela seja apenas apreciada como figura feminina e bela.

Determinada a encontrar um propósito para sua vida, Smurfette segue em busca de respostas e acaba descobrindo a existência de uma vila misteriosa, onde vivem criaturas como os smurfs, mas que até então estavam protegidas das maldades do temido Gargamel, o feiticeiro que quer roubar a essência dos smurfs para se tornar mais poderoso. Agora que ele descobriu essa segunda vila, Smurfette e seus amigos Smurf Robusto, Smurf Desastrado, e Smurf Gênio partem para a floresta proibida, para avisar aos moradores da vila perdida sobre os planos do feiticeiro.

olhos da smurfete

A Smurfette é o foco da produção.

Um dos aspectos mais agradáveis do filme é que o 3D foi colocado para bom uso, para variar, e durante toda a animação os efeitos de profundidade e interação são sutis. Por isso mesmo, agem a favor da história, ao invés de incomodar ou desaparecer como acontece na maioria das vezes. Com animação gráfica de primeira linha, os personagens originalmente 2D ganham dimensão, nuance e vida, sem perder nem um pouco a originalidade do tom azulado, sempre obedecendo em tela as devidas proporções.

O aspecto cartunesco funciona, convence e diverte, afinal, não foi preciso inseri-los num contexto real, mas sim obedecer sua realidade inventada e adequar o mundo aos personagens, e não o contrário. Esse fator também permite algo ainda mais fantástico: que as referências ao desenho animado original sejam mais palpáveis e instintivas. A empatia é imediata, principalmente por causa desse aspecto, o que funcionou exatamente de forma contrária nos filmes que misturavam live-action com animação. Nos sentíamos obrigados a gostar dos personagens por causa da sensação de reconhecimento. Agora, você não só reconhece, mas consegue ter de volta a sensação de estar sentado em frente à TV, assistindo a mais um episódio de Os Smurfs. Nostalgia, pra que te quero…

A trilha sonora clássica aliada a batidas de músicas “atuais” que, em suas letras, ainda que em inglês, conseguiam conversar com a situação e os diálogos em si, ajudam com o desenrolar do filme. Há a integração da tecnologia com o artifício da figura da joaninha, que funciona como um smartphone/gadget para auxiliar no desenvolver da aventura, e na ambientação da história para um público infantil habituado às maravilhas da modernidade contemporânea.

smurfs com pressa

Tom cartunesco do desenho é mantido.

Falando de forma muito técnica, durante o primeiro ato há uma necessidade de correr com as cenas, para que a verdadeira aventura, no segundo ato, possa começar. Os elementos aventurescos mantêm a energia do filme a partir daí, e a conclusão da trama se dá mais naturalmente.

De forma muito sutil, é introduzida a relação de adoração que existe entre todos os smurfs e a Smurfette. Se trata de uma criatura fascinante a todos eles, em níveis diferentes de intensidade. Não há insinuações românticas, mas sim carinho e cuidado genuínos, que funcionam bem para manter a relação entre ela e todos os smurfs rapazes, dentro do espectro da inocência da infância. Afinal, o filme foi feito para crianças, e sua mensagem se torna clara ao final.

O arco de crescimento individual de Smurfette é completo, com não apenas seu entendimento sobre as vantagens de ser diferente e única, mas também de poder contribuir em mais de uma forma para a sociedade. Há uma mensagem feminista muito presente nas entrelinhas da trama. Enquanto os smurfs rapazes precisam de uma orientação direta de qual será sua forma de contribuição para o grupo, às smurfs moças é permitido participar em mais de uma única atividade, dominar vários campos de conhecimento e habilidade, não necessariamente dentro do espectro “feminino” de possibilidades.

gargamel aponta

Vilão Gargamel quer a vila desprotegida.

No final das contas, Os Smurfs e a Vila Perdida entrega uma bela mensagem sobre encontrar um propósito na vida, uma forma de contribuir com o todo e, também, sobre saber pelo que você luta e pelo o que você faria o verdadeiro sacrifício. Com direção de Kelly Asbury, veterano no mundo das animações – dirigiu Shrek 2 e Spirit – O Corcel Indomável, foi roteirista para Shrek e O Príncipe do Egito e supervisor de efeitos visuais em Toy Story, O Estranho Mundo de Jack e A Pequena Sereia -, vozes de Demi Lovato, Julia Roberts, e Joe Manganiello, os pequenos seres azuis mágicos que vivem na floresta finalmente ganharam uma adaptação atual, que conseguiu trazer modernidade, sem perder a doçura dos desenhos originais, e reapresentar com destreza o mundo encantado dos Smurfs, para velhos e novos fãs de todas as idades.

Sobre Ana Luiza Medeiros

Escritora e romancista, Ana Luiza Medeiros escreve romances cômicos, disponíveis na Amazon.com.br e em seu site analuizamedeiros.com, e crítica de cinema para o site especializado VelhaOnda.com.
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