Paixão Obsessiva (Unforgettable – 2017)

Heigl e Dawson brigam

Tramas sobre paixões obsessivas com pessoas que se perseguem e se ameaçam com um suspense que cria tensão não são incomuns, mas poucos são bons. O que faz desse Paixão Obsessiva uma obra que seria arriscada, não fosse o quinto ou quarto filme consecutivo do estúdio Screen Gems com um enredo do tipo. Todos com orçamento em torno de 10 milhões de dólares e com rendimento com cerca de três a cinco vezes o gasto.

Aqui, a jornalista Julia Banks (Rosario Dawson) resolve se mudar de São Francisco para uma cidade de interior para poder se casar com o namorado David (Geoff Stults), que a pediu em casamento. Lá, tenta aprender a conviver com a ex-mulher dele, Tessa (Katherine Heigl), que age de forma estranha em relação a Julia.

Não é preciso ser um gênio para ler a sinopse e o título para saber que Tessa tem algum transtorno e vai fazer de tudo para reconquistar David e blá, blá, blá. A cada dia de Julia na cidade, mais coisas estranhas acontecem com ela. Desde ligações de estranhos que não se identificam, passando por objetos que somem, até o comportamento bizarro de Tessa.

Katherine observa de forma pertubadora

Tessa obcecada com o ex.

A progressão do suspense funcionaria bem se houvesse alguma outra ameaça além de Tessa, mas o roteiro de Christina Hodson e David Johnson (que só fizeram filmes de suspense e horror medíocres) usa apenas o passado de Julia como um medo perturbador. Dois anos antes da trama do filme começar, ela sobreviveu a um relacionamento abusivo e ela ainda tem pesadelos com o ex-namorado violento.

Paixão Obsessiva tenta criar essa história sobre uma mulher que se fortalece e segue adiante após esse relacionamento agressivo, mas esquece que mulheres que abandonam carreiras para ajudar o marido com o negócio dos sonhos deles não é muito condizente com discursos de empoderamento feminino.

Diga-se de passagem, o filme pode ser descrito como um conflito de duas mulheres que amam o mesmo homem e que deixaram para trás sonhos e carreiras para que ele pudesse produzir cerveja. Se isso não é ruim o bastante para uma produção, não ajuda ter uma direção como a de Denise Di Novi.

Rosario espiona

Julia tenta lidar com a ameaça da ex do namorado.

Ela usa bem a fotografia e a direção de arte para contar a história. As roupas, cabelo e maquiagem da mocinha e da vilã indicam como elas são. Julia usa roupas mais soltas, confortáveis e com variação de cores, enquanto Tessa usa vestidos que se encaixam perfeitamente no corpo, com um cabelo escovado e perfeito e cores brancas. Isso se reflete nos carros, casas e tudo o mais. É como se Julia fosse sugada para o mundo rígido e severo da rival.

O problema são os enquadramentos. Muitas cenas são feitas com câmeras abertas em cantos de ambientes para pegar tudo o que acontece e fica por isso. É de uma pobreza narrativa absurda. Em alguns diálogos, como uma cena na qual Julia conversa com a enteada, parece até que os atores foram filmados separados e montados juntos.

É possível ver que Katherine Heigl se esforça para dar profundidade para Tessa, mas ela não pode fazer muito com um papel tão unidimensional. Já Rosario Dawson se resume a gritos e berros, porque parece que a atriz sabe que não precisa criar mais para a personagem.

No fim, Paixão Obsessiva é um suspense sem tensão sobre duas mulheres que se odeiam. Parece aquele episódio de novela em que a mocinha e a vilã brigam entre si e, em algum momento, a antagonista rola na escadaria.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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