1001 Filmes #30 – Metrópolis

a Metropolis

Um dos grandes clássicos do cinema expressionista alemão, Metrópolis é um filme assustador. Em grande parte, pelo uso da estética barroca que dominava a arte alemã do período, mas principalmente porque ele ressoa tão atual com a situação pela qual o mundo e o Brasil passam no momento.

Quando o protagonista Freder, filho do dono de Metrópolis, descobre que a cidade monumental funciona com base no sacrifício dos trabalhadores que vivem no subterrâneo, é difícil não pensar em comparações em uma civilização na qual as classes sociais vivem em desacordo.

Trata-se, portanto, do que o gênero de ficção-científica tem de melhor: uma alegoria aos problemas atuais da humanidade. No caso de Metrópolis, é uma distopia com tons fantásticos e exagerados, como o expressionismo alemão exige.

maquina-homem se transforma

A “máquina-homem” se transforma e ganha vida. Cena icônica.

O filme do diretor Fritz Lang também assombra pelo escopo. Repleto de efeitos especiais de ponta para a época, as escalas dos cenários ainda são incomuns para o cinema de hoje. Quando a produção acompanha centenas de trabalhadores para o subsolo, é possível ver centenas de homens, mulheres e crianças em sets construídos em estúdio com dezenas de metros de altura e construções elaboradas.

Isso se repete em toda a produção. Especialmente no clímax, quando as massas se revoltam contra as elites e tomam as ruas da cidade. Lang não se acanha em fazer planos abertos para mostrar a grandiosidade do que filma. Ao mesmo tempo em que cria imagens significativas, como na cena em que um “máquina-homem” é queimado na fogueira, ou quando um acidente em uma fábrica provoca a morte de vários trabalhadores e Freder os vê como um ritual de sacrifício ao deus Moloque.

Não à toa, Metrópolis é repleto de cenas e imagens icônicas. Também tem momentos marcantes com nudez, sexo e violência. É parte do apelo de Lang ao fazer conexões entre as sociedades modernas e rituais pagãos antigos, como se a humanidade não tivesse avançado, mas apenas mudado as formas de guerrear consigo mesma.

Veja o filme abaixo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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