Inseparáveis (Inseparables – 2016)

Tito e Felipe riem fora do carro.jpeg

O título, a cena de abertura e o último plano de Inseparáveis já evidenciam a qualidade da produção. Apenas por ser um remake argentino do sucesso francês de poucos anos atrás, Intocáveis, já existe algo de estranho neste filme. A curiosidade é inegável, especialmente para o espectador que tenha gostado do original. Será que há alguma necessidade de recontar uma história recente?

Tanto o francês quanto o sul-americano contam a história real do empregado imprevisível de classe baixa (aqui chamado de Tito e interpretado por Rodrigo De la Serna) contratado para cuidar do tetraplégico extremamente rico (com o nome de Felipe na versão hermana e com o rosto do ator Oscar Martínez).

Nenhum dos dois filmes é realmente original aqui. Pessoas que nunca se conheceriam em condições normais são obrigados a conviver e, durante o período da união, a convivência os ajuda a superar problemas pessoais. A novidade se encontra apenas na subversão da expectativa de que o grosseiro das ruas seria uma má companhia para o homem de origens repletas de benefícios.

tito erra o garfo na cara de Felipe

Até as piadas são as mesmas.

É possível compreender o nome deste filme: continuar com palavras rápidas com o prefixo “in”. Mas não funciona especialmente porque os personagens não só são separáveis, como acontece na história. Antes mesmo do início da sessão, já há uma informação que demonstra que os realizadores não compreendem o que pretende fazer.

Na primeira cena, durante os créditos iniciais, o texto na tela evidencia: “Baseado no filme Intocáveis”. Mesmo que existam duas pessoas reais cuja relação será retratada na produção, já fica claro que não será uma revisão da história, mas uma refilmagem do mesmo roteiro. Talvez com uma ou outra mudança.

O que fica claro na mesma cena, quando a produção apresenta os dois personagens no mesmo momento em que o francês inicia, com uma situação próxima do final da história. O que teria de ser proposital em um roteiro original, mas parece que nem isso o diretor e roteirista Marcos Carnevale quis tentar criar.

dança de salão

Música pop vira dança de salão. Poucas mudanças.

O que mudam são pequenas coisas, como os nomes dos personagens ou as músicas que Tito escuta. No francês era pop dançante, aqui é uma dança de salão. Além do fato de que Carnevale esquece cenas que apresentam personagens que serão importantes para a história, como a filha de Felipe ou vários parentes de Tito. Sem contar que ele parece, em diversos momentos, apenas escolher um canto para deixar a câmera. Não há preocupação com enquadramentos ou com a melhor maneira de contar a história.

Então, na última cena do filme, ele repete mais uma vez o francês ao mostrar os dois homens reais. Não seria um problema, se as imagens reais usadas não fossem exatamente as mesmas da produção original, recortadas em tela da mesma forma. Chega a ser vergonhoso. Parece que pegaram o blu-ray francês e piratearam parte dele.

De bom mesmo, apenas as boas interpretações de De la Serna e de Martínez e a história divertida desses dois homens simpáticos e extraordinários. Mas nem isso é capaz de salvar um filme sem razão para existir e que sequer tenta encontrar uma na concepção. E se prepara que 2018 terá outro remake, mas desta vez será estadunidense.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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