Blow-Up – Depois Daquele Beijo (Blow-Up – 1966)

tirando foto no parque

Falar de Blow-Up requer falar sobre o diretor do filme, Michelangelo Antonioni. O italiano repetia em toda a obra os mesmos conceitos. Para criticar características sociais, ele representava aventuras e mistérios que nunca se concretizam. Justamente por isso, também é um cineasta cujas produções não são facilmente acessíveis.

Como sempre, o protagonista é um representante da elite que tem uma vida de tédio. O fotógrafo famoso e popular Thomas (David Hemmings) passeia a esmo em um parque para fechar as fotos de um livro que pretende publicar. Captura a imagem de um casal e a mulher, Jane (Vanessa Redgrave), o persegue desesperada porque quer as fotografias. Curioso, ele analisa o filme e descobre que pode ter conseguido evidências para um assassinato.

Está aí o gancho para a discussão que Antonioni gosta de evidenciar. Mesmo rico, famoso e reconhecido, Thomas gosta de tratar os outros com desdém por tédio. Se diz muito ocupado, mas não tem muito o que fazer. Tanto que sai na rua e compra uma hélice de avião que achou bonita sem ter uso para o material.

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Com Jane, que tenta recuperar a foto dela.

Desvendar e se envolver no possível assassinato é um convite para algo novo na vida monótona de Thomas. Ele parece preocupado por talvez estar em risco, mas está mais empolgado com a chance de sair do comum. Ainda assim, ele não consegue evitar se distrair com quaisquer coisas que cruzam seu caminho. Como duas groupies que invadem o estúdio dele em certo ponto da produção.

Na ambiguidade de toda a busca de Thomas, Antonioni zomba de características sociais ao criar ambientações esquisitas. Num dos momentos mais confusos, o fotógrafo entra em um show de rock no qual a plateia está estática até que o guitarrista arrebente uma guitarra. É como se o diretor quisesse apontar para as incoerências da vida em sociedade, como pessoas fora de controle diante de uma banda.

É preciso acrescentar, então, que os filmes de Antonioni parecem não ter sentido para quem não observa essas características. Como ele constantemente se afasta da trama principal quando o protagonista se distrai, muitas cenas dão a impressão de serem inúteis. O ritmo também se torna inconstante por conta disso, o que faz com que Blow-Up seja uma produção difícil de assistir para o despreparado.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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