31 (2016)

sorriso ensanguentado

Sangue e sexo vendem, dizem os especialistas (em vendas, sangue ou sexo). E embora pareça, a princípio, que Rob Zombie (A Casa dos 1000 Corpos, Rejeitados pelo Diabo, As Senhoras de Salem) é apenas mais um nome no imenso hall de diretores (em sua maioria homens) que exploram essa ideia, quem assistiu sua obra percebe algo de muito singular.

Com Zombie, a violência torna-se um espetáculo que não visa chocar ou causar repulsa (demais), mas divertir. O sarcasmo está presente em grande parte da obra, que satiriza e inverte modelos prontos de filmes de terror. Com exceção de As Senhoras de Salem, que tem um clima mais soturno, lento e uma temática diferente, os filmes de Zombie seguem uma linha muito específica que utiliza os esquisitões rednecks, a figura feminina hipersexualizada, e serial killers.

Entre esses, entra sua última obra, 31. O filme foi batizado em referência ao 31 de outubro, dia de Halloween, quando os freaks saem para fazer travessuras ocultos por fantasias que desaparecem em meio a uma multidão igualmente fantasiada e uma das ambientações preferidas para o cinema de terror americano. A produção foi lançada exatamente no dia de finados, no Halloween e estreou recentemente em serviços on demmand brasileiros.

pessoas observam broder crucificado

Pessoas capturadas. 12 horas para sobreviver contra assassinos.

A história parece simples: na véspera do Halloween, um grupo de artistas é sequestrado por uma galera que se diverte fazendo apostas sobre qual deles vai sobreviver ao final de 12 horas, durante as quais um bando de assassinos contratados vai caçá-los enquanto os sequestradores assistem tudo de camarote. Ao final do prazo, um alarme soa e quem ainda estiver vivo será libertado do cárcere.

Para os fãs do gênero trash e de outros filmes do diretor, esse pode deixar um pouco a desejar justamente pela falta de originalidade do enredo; 31 teria tudo para cair na mesma categoria de obras morosas como Jogos Mortais e outras do tipo, não fosse o olhar notadamente sarcástico de Zombie. O que conta aqui é explorar o absurdo da situação, a esquisitice e o potencial doentio o máximo possível. O grupo de assassinos são personalidades tão excêntricas quanto sádicas, os apostadores são velhinhos que se vestem como se vivessem na corte de Luís XVI e os heróis são um bando de desgarrados.

Além da capacidade de Zombie de criar personagens marcantes no melhor estilo trash, é preciso ressaltar uma característica fundamental já mencionada anteriormente da obras dele: a violência é elemento de diversão. Nenhum dos assassinos de 31 está lá por ter sofrido algum trauma na adolescência, eles simplesmente se divertem com aquilo que fazem. O absurdo, o nonsense também faz parte da coisa toda. E, de fato, as personagens são tão interessantes no sentido mais excêntrico da palavra que o próprio espectador acaba por gostar delas – sejam elas a vítima ou o assassino.

Sheri Moon ensanguentada na estrada

Sheri Moon. Presença carimbada nos filmes do esposo.

No elenco, entram Richard Brake, um excelente e experiente ator que não participa do hall comercial de Hollywood (o que é mais uma prova de sua competência), uma Meg Foster maravilhosamente envelhecida, Malcolm McDowell, Pacho Moller no papel de um dos melhores sádicos já feitos, e claro, Sheri Moon Zombie, esposa de Zombie que está presente em todos os seus filmes. Sempre brilhante.

No todo, 31 não é um filme para levar a sério – e isso é um elogio. Como todos os trashes, é preciso deixar de lado a lógica e apenas se jogar de cara na viagem. Se depender de Zombie, vamos parar em uma poça de sangue muito vermelho, dentro de um galpão escuro…

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