1001 Filmes #37 – O Caçula

Harold com a família

Além dos gigantes Buster Keaton e Charlie Chaplin, o cinema teve o comediante mudo Harold Lloyd. Quem não conhece provavelmente reconhece o diretor em uma cena clássica na qual ele está pendurado em um relógio de ponteiro no filme O Homem Mosca. Mas a primeira entrada dele nessa lista é mais tardia, com este O Caçula.

A trama em si, não apresenta nada de novo. Harold (ele repetia os nomes dos personagens que interpretava) é o filho mais novo de uma família com representantes másculos e respeitados de uma cidade do interior. Pequeno e fraco, ele aprendeu a lidar com a desvantagem em relação a todos os outros homens da região com destreza e inteligência. Quando Mary Powers (Jobyna Halston) chega na cidade com um espetáculo circense, Harold terá que se provar para manter o interesse da moça.

É uma brincadeira com as expectativas do que é ser homem. Se não for forte, ele deve ser inteligente para conseguir se proteger. Seria interessante se não fosse feito em 1927, com valores ultrapassados. O que é a razão para que a história do filme, por mais que bem estruturada, não seja o forte.

Harold pendurado em uma árvore

Câmera foi colocada em um elevador para acompanhar Harold em uma árvore.

O que vale aqui é o talento de Lloyd como comediante e como diretor. Ele não tem a habilidade física de Keaton, nem capacidade de fazer alegorias entre o humor e problemas sociais como Chaplin, mas sabe fazer comédia visual elaborada e voltada para a jornada do personagem.

Lloyd criou um elevador para que a câmera acompanhasse uma escalada impressionante em uma árvore. Colocou o cinegrafista em uma carroça que subia as alturas como o personagem. Pendurava a câmera também em laterais de veículos para capturar um momento em que corre atrás da amada.

Não apenas forma cenas que capturam toda a ação do humor e acompanha o desenvolvimento do personagem principal, como tem enquadramentos belíssimos e elaborados. A câmera e o ator se movem e o resultado são imagens dinâmicas que, mesmo com poucos cortes, fazem com que o ritmo da produção seja mais rápido.

Veja abaixo em uma captura de VHS brasileiro legendado com uma imagem surpreendentemente boa.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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