Human Flow: Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir (Human Flow – 2017)

Placa de refugiados

Uma câmera aérea mostra a superfície de cima para baixo e revela a grandiosidade dos números de pessoas perdidas entre territórios. Então rostos são mostrados, não são apenas dígitos, mas gente de verdade que sofre com dramas individuais. Entre relatos e imagens belas, o cotidiano do campo de refugiados é revelado.

Com essa estrutura de filmagem e de montagem, o diretor chinês (também radicado do país dele) Ai Weiwei consegue mostrar detalhadamente as consequências de uma das discussões mais importantes e relevantes do mundo atual: de refugiados políticos.

Basta dar uma olhada rápida nos jornais e noticiários para saber que países do chamado primeiro mundo não querem aceitar pessoas em fuga de zonas de guerra, da fome e da perseguição política devido à quantidade de refugiados que surgiram no mundo recentemente.

refugiados em acampamento

Um dos campos de refugiados mostrados no filme.

Enquanto isso, milhões de pessoas estão presas em campos na Grécia, na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Itália, na Alemanha e em outros países. Gente sem emprego e sem comida para sustentar famílias e crianças com fome. Em alguns lugares eles são expostos às intempéries, como na Grécia, onde eventualmente chove por dias, o que é terrível para pessoas que vivem em barracas de acampamento.

Com as opções descritas no primeiro parágrafo, Weiwei consegue trazer à tona todas essas realidades. Começa com a chegada de refugiados sírios na Grécia, segue com o acampamento que surgiu no país porque as pessoas não podem entrar na Alemanha. Logo em seguida, passa para o Iraque, onde repete a estrutura com a câmera e a montagem.

Ai Weiwei na faixa de Gaza

O diretor Ai Weiwei interage com personagens na faixa de Gaza.

Depois ele vai para o próximo país, repete de novo. E por aí vai, até que o filme se torne cansativo, com duas horas do mesmo ciclo usado várias vezes. É claro que há diferenças em cada contexto. No Afeganistão, Weiwei consegue revelar corpos de crianças vítimas de explosões abandonados no meio do deserto, enquanto na Itália, as pessoas vivem em galpões porque a administração do país não tem onde colocá-los.

Mas é um daqueles casos raros em que se vê tanto sofrimento que o espectador fica dessensibilizado com o tempo. E com tanta repetição, o filme parece mais longo do que realmente é. Porém, a relevância do tema mantém a atenção, assim como os surpreendentes casos mostrados. Merece ser visto e descoberto para se ter mais noção sobre o que acontece no mundo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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