1001 Filmes #46 – A Caixa de Pandora

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Esta lista dos 1001 Filmes pode ser um tanto cruel de vez em quando. Existem filmes que se tornam memoráveis e importantes pelo avanço da linguagem ou por serem o ápice de um movimento ou de alguma estética, mas não são necessariamente bons filmes. Ou, em certos casos como O Nascimento de uma Nação, eles são terrivelmente preconceituosos em reflexo ao período em que foram feitos.

Também é o caso deste A Caixa de Pandora, que foi um dos maiores representantes da chamada vamp, um estereótipo feminino criado para o cinema mudo que buscava, por meio de narrativa, vilanizar a sexualidade de mulheres. Aqui, Lulu é uma prostituta que tem casos com quase todos os membros de uma família, o que inclui o pai, o filho e até uma amiga lésbica.

Simples assim, todos sabem que não podem confiar nela, todos se dão bem entre si e sabem das relações uns dos outros. Ainda assim, ninguém é mal visto além de Lulu. Não importa se o pai está noivo de outra mulher, ainda que seja mais apaixonado pela amante. Não importa se o filho a ama, mesmo que queira que ela se torne a madrasta por motivos políticos.

Lulu no casamento

Lulu dança com a amante no próprio casamento.

E Lulu, por saber usar todos esses sentimentos para se promover, ganhar status e mudar de situações, é tratada como a vilã que as vamps deveriam ser na época. Na verdade, o filme busca mostrar que a sexualidade e o uso dela por mulheres é um erro que faz mal para a sociedade. Infelizmente, ele é incluído na lista justamente por ser um dos últimos que retratou a vamp.

Só por isso mesmo. E a intérprete de Lulu, Lousie Brooks, o faz com louvor. Com um corte de cabelo que recebeu o nome da personagem de tão emblemático, ela esbanja sensualidade enquanto flerta com os colegas de cena. Inclusive, demonstra muito traquejo social ao mostrar tristeza e sofrimento nas horas certas para manipular.

Merecia uma revisão atual para retratar Lulu como um vítima que usa o jogo em que está presa para ganhar destaque. Para quem tem curiosidade, veja abaixo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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