1001 Filmes #51 – Sem Novidades do Front

Paul sobreposto a cemitério

Lembro quando, na graduação, fui chamado para apresentar um livro sobre ética para a turma. Entre a discussão, me impressionou muito o contexto da culpa de sobrevivente. Antes mesmo da primeira imagem filmada deste Sem Novidades do Front, um texto aparece na tela para explicar como o tema central é justamente a forma como a guerra destrói, se não fisicamente, mentalmente.

Lançado em 1930, antes da Segunda Guerra Mundial começar, o filme questiona do começo ao fim as razões para a guerra. Qualquer conflito que seja. Abre com um professor na Alemanha que incentiva os alunos adolescentes a adentrarem no exército para representar o país. Inflamada com os ideais nacionalistas e bélicos, a história acompanha essa mesma turma enquanto eles passam por inúmeras desilusões.

Com muita crueza, o diretor Lewis Milestone mostra como o idealismo não tem lugar em um lugar onde um homem desesperado se agarra a um arame farpado antes de ser explodido por um bombardeiro. Sobram apenas as mãos penduradas e o horror de como a batalha não escolhe quem devia morrer, apenas mata um atrás do outro.

Paul com soldado que ele matou

Um dos jovens fica preso em uma vala com um inimigo moribundo.

A desilusão é gradual. Começa com os maus-tratos no treinamento rigoroso do exército, passa pela trilha para chegar às batalhas, onde os jovens descobrem que não há comida e que o dinheiro não vale mais nada. O choque real acontece quando, com poucos minutos em conflito, justamente o garoto que tinha receio de ir para a guerra morre nos braços de outro.

Milestone dirige com estilo dinâmico, com panorâmicas que acompanham os movimentos de centenas de figurantes e uma montagem acelerada que sobrepõe imagens para apresentar significados (basta olhar para a imagem principal do texto para ver um bom exemplo).

O filme pode ser visto no youtube com um aluguel a partir de R$ 3,90. Veja abaixo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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