Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story – 2018)

Este texto também pode ser lido no Sete Cultura.

Han e Chewie pilotam a Millenium Falcon

A história já é famosa. Coisas como Star Wars e Indiana Jones foram criadas por George Lucas com base em séries cinematográficas feitas para o cinema na década de 1930. As chamadas aventuras pulp viraram franquias maiores que a vida nas décadas de 1970 e 1980. Agora, elas são exploradas ao máximo em busca de mais sucesso comercial.

É possível reinventar para discussões atuais como em Rogue One ou Os Últimos Jedi, assim como buscar características clássicas que funcionavam antes como em O Despertar da Força ou este Han Solo: Uma História Star Wars. Aqui, a ideia explora basicamente a imagem de um dos personagens mais queridos da franquia estelar.

A sugestão do filme veio de um dos melhores roteiristas do personagem, Lawrence Kasdan, convidado pela Disney para escrever e produzir a história que ele quisesse no universo. Ele não pensou duas vezes. Han Solo (Alden Ehrenreich) seria a estrela, anos antes de cruzar caminhos com a família Skywalker.

Alden como Han

Han Solo está de volta em outro corpo graças ao ótimo trabalho de Alden Ehrenreich.

O que gera um problemão em termos de conteúdo a ser buscado. Porque há muita coisa do passado de Solo a ser contada, como a infame corrida finalizada em 12 parsecs, ou como ele se tornou amigo de Chewbacca ao libertá-lo da escravidão. Eis a armadilha: como costurar uma história decente entre esses momentos sem fazer com que eles soem falsos ou forçados?

Felizmente, foi Kasdan quem assumiu a tarefa. Talvez uma das pessoas que melhor compreendem Han Solo, o roteirista, em parceria com o filho Jonathan, faz uma elegante aventura de assalto que dá todas as desculpas necessárias para os momentos icônicos sem perder a personalidade do protagonista.

E aventura é a palavra certa aqui. De acordo com as regras principais dos filmes pulp do passado, Kasdan cria perigos para os personagens que refletem os conflitos pessoais deles, ao mesmo tempo em que a cada risco colocado em cena escala para algo maior consecutivamente. O que faz com que a tensão aumente e o desenvolvimento de história não pare.

Donald Glover como Lando

Lando Calrissian é bem representado pelo ótimo figurino e na interpretação de Donald Glover.

Ainda mais com o trabalho técnico eficiente de pessoas como o diretor de fotografia Bradford Young, que usa de contraluzes para criar sombras nos atores em imagens belíssimas. Também ajuda o excelente design de produção de Neil Lamont, que recria estilos em cenários e figurinos. Basta olhar as formas geométricas nas partes em que o Império aparece, ou a maquiagem e vestimenta de Lando Calrissian (Donald Glover), que remete ao estilo do personagem.

O resultado é um filme lindo de se ver que não escapa da estética Star Wars. Porém, são o diretor Ron Howard e o montador Pietro Scalia os responsáveis pelos problemas de ritmo do filme. De nada adianta beleza quando a trama começa corrida entre cenas de ação que correm das origens de escravidão de Solo até a entrada no mundo de crime e contrabando.

O espectador se adequa ao ritmo aos pouco graças ao roteiro com bons diálogos e bons personagens, ao ótimo trabalho técnico na filmagem e ao bom elenco. Ainda mais quando a história realmente começa, com cerca de 30 minutos de duração. Mas Howard parece ter esquecido de filmar imagens de contextualização aqui e ali, o que sempre incomoda nos inícios de todas as cenas.

O que se encontra com este filme é justamente o que se via em Star Wars antigamente. Uma aventura pulp divertida e rápida. Infelizmente com problemas de condução devido a um diretor que nunca foi realmente muito bom. Ainda é uma produção envolvente e que trata os personagens de forma decente.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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