Sol da Meia-Noite (Midnight Sun – 2018)

Crítica por Daniel Barros.casal deitado na luz de fogueira

Katie é uma garota com uma doença rara e que, ao cruzar, por acaso, com o atleta e queridinho da escola, Charlie, vive um intenso romance de verão. A história soa familiar? Sim! Assim como Um Amor Para Recordar (Adam Shankman, 2002), o longa Sol da Meia-Noite, dirigido por Scott Speer (Ela Dança, Eu Danço 4, 2012), segue uma fórmula de sucesso, repetida à exaustão por Nicholas Sparks, autor de obras como Querido JohnDiário de Uma Paixão e a já citada Um Amor Para Recordar.

Releitura do filme japonês Taiyô no uta (Norihiro Koizumi, 2006), Sol da Meia-Noite conta, sem muitas inovações, a trajetória de Katie (Bella Thorne), uma garota de 17 anos que, desde a infância, passa os dias sem poder sair de casa devido a uma doença que a impede de ser exposta à luz solar. Por levar uma vida mais reservada, ela não se relaciona com muitas pessoas além do pai viúvo, Jack (Rob Riggle), sua amiga Morgan (Quinn Shephard) e uma enfermeira.

Katie costuma passar os dias estudando, compondo músicas no violão e olhando o mundo pela janela do seu quarto. Com o anoitecer, ela pode se aventurar com segurança e frequenta a estação de trem onde toca para os passageiros. Certa vez, um garoto chamado Charlie (Patrick Schwarzenegger) passa pela estação e escuta Katie. Os dois conversam e o amor floresce. Assim, o filme segue de maneira óbvia e totalmente esperada.

Mesmo sem grandes surpresas, o filme encanta. Até nos clichês pode arrancar risadas e algumas lágrimas. Começando pela doença de Katie: O Xeroderma pigmentoso, ou XP, é uma doença rara, fruto de uma mutação genética que gera hipersensibilidade a luz e deixa os pacientes até mil vezes mais suscetíveis ao câncer de pele do que as demais pessoas. Por conta dos perigos da exposição solar e por viver confinada em casa, não é difícil de se compadecer com a personagem de Bella Thorne.

Katie com um violão e uma ponte no fundo

Cantoria noturna. É fácil compadecer por Katie.

Cena ou outra nos pegamos torcendo por Katie, que começa a experimentar pequenos prazeres ou dos perigos da vida para ela. Passagens em que o sol está quase para alcançá-la também são de prender a atenção do espectador, mas não diria de tirar o fôlego.

O desenrolar da história também pode ser bem divertido, pois Katie apenas consegue sair com Charlie quando está escuro. Para alguns adolescentes que ainda precisam voltar até meia noite para casa, pode ter um saborzinho de uma romântica aventura. Porém, sem a gostosa rebeldia teen. Não há escapadas no meio da noite pela janela do quarto e nem o “príncipe encantado” de Katie vai resgatá-la escalando o muro da casa. Pensando nisso, o filme também pecou por não explorar mais o contraste da vida com e sem os raios solares.

Apesar do simplismo, Bella Thorne se saiu bem no filme. Ela consegue transmitir a ternura da personagem, mas não os conflitos. A maquiagem do filme também não foi muito feliz e deixou a desejar na situação mais crítica vivida por Katie. Além de conseguirmos ver as diversas camadas de base na atriz, não retratou bem as marcas da doença.

Patrick Schwarzenegger já consegue cativar mais com a pinta de bom rapaz e se sai bem como o mocinho da história. Parece que o papel foi desenhado para ele. Não que o personagem fosse muito complexo. Apesar do bom desempenho, Patrick não é brilhante. A atuação que se destaca é a da Quinn Shephard, que entendeu bem seu papel de coadjuvante e atuou por diversas vezes com um interessante alívio cômico. Rob Riggle, que vive o pai de Katie, também funcionou bem, tratando o drama com leveza.

quinn shepard deitada em cama

Quinn Shephard se destaca em cena.

A fotografia conseguiu passar a atmosfera de um romance adolescente. As noites não são soturnas e as luzes são frias como uma leve brisa que escorre do mar e invade a cidade. Os dias também não são assustadoramente claros e quentes. O tom dourado do sol retrata bem a beleza de uma tarde de verão. Não chega ser tão sépia e saudosista. Talvez esse detalhe seja a gostosa ironia do filme. Um lindo amor de verão tocando o coração de uma jovem que precisa viver escondida do sol.

As músicas também foram bem utilizadas. O estourado indie rock se manteve presente, assim as baladas que têm inundado as rádios. Os hits vão desde Panic! At The Disco (Victorious), Mia Wray (Where I Stand) e Bella Thorne com diversas canções. Da mesma forma, o figurino dos personagens foi assertivo.

Por ser um filme pop, com a duração de uma obra hollywoodiana, e pelo desconhecimento da doença retratada na história, não deram muito espaço para a construção de personagens, nem mesmo de Katie. O tema é interessante, o roteiro é batido, mas os atores são bons. Por fim, a obra cumpre seu papel.

 

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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