Hotel Artemis (2018)

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Um grande prazer recém descoberto é ir assistir a um filme e a história não seguir nenhum dos padrões apresentados no material de divulgação. Como neste Hotel Artemis, é impossível prever o desenvolvimento dos personagens e as reviravoltas com base nos trailers.

Ao contrário do divulgado, a história não é sobre um grupo de pessoas em um hotel que tentam sobreviver a um grupo misterioso. Muito pelo contrário, é sobre os sacrifícios que os dois protagonistas, a Enfermeira (Jodie Foster) e Waititi (Sterling K. Brown) tiveram de fazer ao longo da vida devido a outras pessoas.

Ela é a supervisora de um hospital exclusivo para criminosos em Los Angeles e ele, um dos internados no local. Enquanto ela tenta cuidar da instituição lotada na noite mais violenta da história da cidade, em 2028, ele busca saídas para o irmão ferido que roubou, sem saber, 18 milhões em diamantes do Rei dos Lobos (Jeff Goldblum), chefe da máfia local.

enfermeira e everest

Everest e a Enfermeira. Salvadores de vidas criminosas.

Nada disso seria suficiente para que a trama da produção andasse se não fosse a mistura específica de pacientes daquela noite em especial. Nice (Sofia Boutella), uma assassina de aluguel que quer matar um contrato sobre o qual não fala com ninguém, e Acapulco (Charlie Day), um traficante de armas impulsivo e irritadiço. Além da vinda avisada de mais uma pessoa que vai colocar todos em choque.

A ideia desses estranhos que acidentalmente se encontram e cuja reunião inevitavelmente leva a conflitos é inusitada e interessantíssima tanto como filme de ação como de suspense. O problema está nas inúmeras coincidências que o roteirista e diretor do filme, Drew Pearce, joga na tela de qualquer jeito para que os confrontos ocorram.

É extremamente conveniente que Waititi e Nice tenham um passado e que tenham se ferido no mesmo dia. Que justamente nesta noite a Enfermeira receba o pedido de ajuda de alguém que a fará quebrar todas as regras. Que a revolta da população contra a empresa que cortou o fornecimento de água na cidade tenha chegado ao ápice na mesma data.

Sterling K. Brown and Sofia Boutella  in Hotel Artemis (2018)

Waititi com Nice. Passado que gera conflito.

Porém, tudo serve aos desenvolvimentos dos dois personagens principais. Ela teve a licença para atuar como médica cancelada por ter se perdido em vícios devido a uma tragédia passada. Ele é um homem meticuloso e inteligente que sempre tem um plano, mas que é impedido de atuar por conta de um irmão viciado em drogas.

Enquanto os eventos os fazem confrontar esses desafios pessoais e superar os problemas, Pearce conduz a narrativa com muito estilo. Desde uma montagem rápida que remete a um videoclipe e dá o tom da urgência para os personagens até a fotografia carregada de verdes e vermelhos que passam a noção de locais secretos e sombrios.

Ainda mais, escreve diálogos inteligentes que acrescentam ao estilo. Em certo ponto, quando a Enfermeira recebe um grupo armado e avisa a eles sobre as regras, escuta de um deles: “O que seria de você sem nós, os que quebram as leis”. A câmera em close-up nos óculos escuros dele com ela refletida nas duas lentes. Assim, ele conta a história sem perder a estética.

Jeff Goldblum

Ameaça do Rei dos Lobos apresentada pelo enquadramento.

Também é auxiliado pela extraordinária Jodie Foster, que representa os traumas da Enfermeira com um manquetear que a atrapalha de agir com velocidade, por mais que ela esteja sempre com pressa. Outro que brilha é Brown, que dá a quase todas as falas de Waititi o peso de um homem que não gostaria mais de estar naquela vida e sente culpa por tudo o que passou.

Ainda vale destacar a sempre majestosa Boutella, que esconde ferodade por trás de uma elegância hipnotizante, e o surpreendente Dave Bautista, um funcionário fiel do hospital que esconde muitos sentimentos de filho para a Enfermeira.

Apesar da estilização, Hotel Artemis não é o longa de ação rápido e cheio de piadas vendido pelo trailer. Muito pelo contrário, é um trabalho de personagens sutil, mas ainda ágil e que aproveita muitíssimo bem os acelerados 90 minutos de duração para entreter e contar uma história.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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